Hoje, ao acompanhar a votação de uma Moção Nº 47/2025 de anistia relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023, me peguei refletindo profundamente. A proposta apresentada não traz, em nenhum momento, a exigência de que quem cometeu infrações responda por seus atos. Isso, por si só, já levanta um alerta.
Pensei em nossa cidade. Em 2024, passamos por uma eleição municipal acirrada. O resultado foi decidido por uma diferença de apenas 6.049 votos no segundo turno. Foi uma disputa intensa, mas pacífica — como deve ser em uma democracia.
Agora imagine se alguém, insatisfeito com esse resultado, resolvesse agir como ocorreu em Brasília: invadindo, quebrando, destruindo o Paço Municipal, a Câmara de Vereadores ou até mesmo o Fórum da cidade. Imagine o caos, o medo e o impacto na vida de tantos trabalhadores e cidadãos. Será que os mesmos que votaram a favor da anistia dos atos de Brasília também defenderiam o perdão nesse caso? Será que manteriam a mesma postura se a violência tivesse atingido nossa própria casa?
Essa moção levanta mais do que um debate jurídico — ela mexe com nossos valores. Anistiar atos que atacam as instituições não é apenas um gesto político; é também um sinal sobre o quanto valorizamos a democracia, o respeito às regras e às decisões das urnas — as mesmas urnas que elegeram cada vereador que ali está.
Essa não é uma questão de lado, de partido ou de ideologia. É sobre princípios. Sobre o que queremos como sociedade. É hora de pensar com responsabilidade sobre o tipo de futuro que estamos construindo.