Na liturgia desta Terça-feira da 4ª Semana da Quaresma, somos convidados a refletir profundamente sobre a cura interior e o poder restaurador da graça divina. Tanto a Primeira Leitura quanto o Evangelho falam da água como símbolo de vida, renovação e salvação.
No livro do profeta Ezequiel (Ez 47,1-9.12), a imagem do rio que flui do Templo é uma representação da presença de Deus que purifica, cura e faz frutificar. À medida que a água se afasta do santuário, ela toca o que está morto e devolve a vida. Esse rio também simboliza a ação da graça em nossa alma, que, ao permitir-se ser banhada por Deus, encontra fecundidade, sentido e direção.
No Evangelho de João (Jo 5,1-16), Jesus se depara com um homem doente havia trinta e oito anos. Mesmo diante da sua limitação, Jesus não lhe exige provas, apenas lhe faz uma pergunta direta: “Queres ficar curado?”. E ao ouvir a resposta, cura-o com Sua palavra e autoridade. A cura que Jesus oferece vai além do corpo: é uma cura interior, uma libertação da alma presa à dor, ao passado e ao pecado.
Esta passagem nos desafia a refletir: queremos mesmo ser curados? Ou nos acostumamos às nossas limitações e feridas? Assim como aquele homem junto à piscina de Betesda, também podemos estar paralisados pelo desânimo, esperando que alguém nos leve às águas. Mas hoje, é o próprio Cristo quem se aproxima e nos oferece a verdadeira cura.
A cura interior começa quando reconhecemos nossa impotência e deixamos Deus agir. Ele é o rio que traz vida, é a Palavra que restaura, é o amor que acolhe sem julgamento.
Que nesta Quaresma, possamos abrir o coração para essa água viva que flui do Coração de Cristo, permitindo que ela cure, transforme e fecunde nossas vidas.
“Levanta-te, pega tua cama e anda!” Essa é a ordem de Jesus também para nós hoje: seguir em frente, com confiança, após encontrá-Lo.
Cura interior, um dom da graça que precisamos pedir e acolher.